Agricultores do Noroeste gaúcho assumem papel de guardiões de sementes e da agrobiodiversidade


O 2º Encontro da Agrobiodiversidade Missioneira, realizado na última quinta-feira (18/08) em Cerro Largo, oportunizou a agricultores, extensionistas, pesquisadores, estudantes e religiosos de 28 municípios de diferentes pontos do Estado viver um intercâmbio de saberes, experiências e conhecimentos e assumir o protagonismo como guardiões de sementes crioulas. Relatos de experiências, trabalhos em grupos e troca de sementes e mudas estiveram na programação realizada no Clube Sociedade Aliança, da Comunidade Santo Antônio.
As propostas de fortalecimento da trajetória de preservação e valorização dos guardiões de sementes crioulas, suas identidade e história local, diversidade genética presente na agricultura familiar camponesa e diminuição da dependência externa dos agricultores estiveram simbolizados no colorido de diversas variedades tradicionais e crioulas resgatadas, como as de milho branco, brancão, amarelão, coloridos cunha vermelho, ervilha crioula; feijões milico, enxofre, amendoim, iraí, dega, manteiga e feijão banana; bem como sementes de ervilha crioula, diferentes tipos de amendoim, kefir, pepino branco, abobrinha, berinjela, jiló, tomate, fisalis, batatinha e plantas de cobertura de solo, entre outros.
 
Relato de Experiências e encaminhamentos
Um dos principais pontos da programação foi a apresentação da experiência de mais de 20 anos da cooperativa Bionatur, do Sul do Estado, referência na produção de sementes agroecológicas, resultado do trabalho e da união de assentados da reforma agrária. Hoje, mais de 150 famílias se envolvem com o resgate e a produção em larga escala de sementes orgânicas de hortaliças, forrageiras, grãos e flores.
A produção é protegida com quebra-ventos naturais e barreiras temporárias e manejada com biofertilizantes caseiros, minhocário, plantas de cobertura e adubação verde, elaboração e aplicação de insumos fitoprotetores (caldas), por exemplo, e um cuidado especial com o controle de qualidade.
Também foi apresentada a experiência do banco de sementes crioulas da Diocese de Santa Cruz do Sul, pelo representante da Pastoral da Terra, Maurício Queiroz, acompanhado da agricultora de Santa Cruz do Sul e da Escola de Jovens Rurais, e da intercambista alemã que está no Brasil para conhecer e contribuir com essa experiência de resgate, Hanna Helena. "Realizamos encontros diocesanos de sementes crioulas há 16 anos, tendo sempre em mente que é uma prática milenar que garante nosso patrimônio e que comida de verdade se faz com semente de verdade", declarou, na oportunidade, Queiroz.
Oldi, agricultora de Cruzeiro do Sul, revelou a consciência de que "a terra é nossa mãe e, por isso, não se pode botar veneno, nem botar fogo, nem deixar sem roupa. É preciso manejar, deixar cobertura, cuidar do solo".
Após a apresentação das experiências, foram realizados trabalhos em grupo, espaço para troca de sementes e mudas, entrega de certificados aos agricultores que assumiram o papel de guardiões de sementes e houve ainda o lançamento do "apoio à formação dos grupos de guardiões de sementes crioulas e da preservação da biodiversidade nos Territórios Missões e Fronteira Noroeste", da Cáritas Diocesana de Santo Ângelo.
Na oportunidade, Pirapó foi definido como próximo município-anfitrião do encontro, em 2017, quando chega a sua terceira edição, sendo firmado um compromisso entre representantes das diferentes entidades promotoras.
 
Representações
Entre as autoridades presentes estiveram o prefeito de Cerro Largo, René Nedel, o assistente técnico regional da Emater/RS-Ascar de Santa Rosa na área de produção vegetal Gilmar Vione, o presidente da Cáritas Diocesana de Santo Ângelo, bispo Dom Liro Vendelino Meurer, o coordenador do Núcleo Noroeste Missões da Embrapa Clima Temperado, Alberí Noronha, o diretor administrativo da Universidade Federal Fronteira Sul, campus Cerro Largo, Sandro Schneider, a presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Cerro Largo, Rosane Scherer, a representante da Rede Missioneira da Agricultura Familiar (Remaf), Maria Lisiane Quevedo Cunha, o coordenador da Rede Ecovida Missões, Ademir Amaral, a coordenadora regional do Movimento de Mulheres Camponesas, Fátima Pansera, o representante da Federação dos Estudantes de Agronomia, Kaliton Prestes, a presidente do Clube Sociedade Aliança da comunidade Santo Antônio, Arlena Konzen, e representantes do Instituto Federal Farroupilha - campus Santo Ângelo e da Escola Técnica Achilino de Santis. Estiveram presentes ainda o chefe do escritório municipal da Emater/RS-Ascar, Breno Ely, que em conjunto com a assistente administrativa Vaneza Leite Goulart se envolveram com a organização do evento e o resgate de sementes crioulas, como milho, pipoca, feijão e batata, em Cerro Largo e junto ao município de Ibarama, com o apoio da técnica agrícola Cristiana Barros da Silva.
Segundo o engenheiro agrônomo Gilmar Vione, o evento "envolve e estimula a autonomia dos agricultores de cuidar das próprias sementes, contribuindo para a biodiversidade da vida". Já a coordenadora da segunda edição do evento, Maria Lisiane Quevedo Cunha, reiterou também o compromisso com a vida, sendo os agricultores seus principais protetores, enquanto guardiões da agrobiodiversidade.
O evento é resultado da parceria entre Universidade Federal Fronteira Sul, campus Cerro Largo, Emater/RS-Ascar, Embrapa Clima Temperado, Federação dos Estudantes de Agronomia do Brasil, Rede Missioneira da Agricultura Familiar (Remaf), Cáritas, Rede Ecovida de Agroecologia, Administração Municipal de Cerro Largo, Movimento das Mulheres Camponesas e Sindicato dos Trabalhadores Rurais. 

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