Negociações avançam e Conselho Monetário Nacional pode autorizar prorrogações para arrozeiros


O Conselho Monetário Nacional - CMN - pode autorizar na próxima quinta-feira, dia 30, um pacote de ajuda aos produtores de arroz do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e do Paraná que tiveram prejuízos em decorrência do excesso de chuvas que atingiu as lavouras no plantio e na colheita do grão. A proposta apresentada pela Federarroz ao Ministério da Agricultura e negociada pelo deputado federal Luis Carlos Heinze (PP/RS) foi tema de duas reuniões nesta semana com o Secretário-Adjunto de Política Agrícola e Meio Ambiente do Ministério da Fazenda, Ivandré Montiel da Silva.
 
A provável renegociação das dívidas dos produtores de arroz prevê a rolagem de R$ 600 milhões entre parcelas do crédito rural vencidas e a vencer em 2016. O setor pedia prazo de 10 anos para amortização dos empréstimos de custeios da atual safra, o governo acenou com a possibilidade de conceder cinco. As prestações de investimentos que deveriam ser liquidadas no decorrer deste ano podem ser transferidas para 12 meses após a previsão do término do contrato atual. 
 
De acordo com o deputado federal Luis Carlos Heinze a grande dificuldade de fechar o acordo está no custo da operação. Segundo o parlamentar, os números apresentados pelo Ministério da Fazenda na reunião desta quarta-feira revelam que a equalização dos juros pode chegar a R$ 200 milhões. "É um momento extremamente delicado e difícil para a economia do país, mas os produtores não podem ficar desamparados. A Fazenda concorda mas precisamos apontar da onde esse dinheiro vai sair. Vamos tentar convencer o ministro da Agricultura (Blairo Maggi) para dispor esse recurso do já apertado orçamento da Pasta para garantirmos essa prorrogação", afirma.
 
SOJA: A ofensiva coordenada pelo deputado Heinze também prevê o reescalonamento das dívidas dos produtores de soja da Metade Sul do estado gaúcho. As perdas do setor, em decorrência das enchentes, já ultrapassam R$ 1 bilhão e atingem, pelo menos, 300 mil hectares dos 570 mil hectares cultivados em cerca 35 municípios das regiões da Campanha, Zona Sul e Fronteira Oeste. Os empréstimos bancários estão estimados em R$ 300 milhões e o custo dessa operação pode chegar a R$ 100 milhões. "Novamente vamos enfrentar esse problema. Mas vamos tentar cobrir essa despesa com recursos do orçamento do Ministério da Agricultura", afirma. 

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